Meu nome é Carlos, tenho doze anos, moro em São Paulo capital, num condomínio de classe média alta com a minha mãe. Meus pais se separaram há pouco tempo e não vejo meu pai há algumas semanas.
Nesses dias andei levando muita bronca da minha mãe, porque ela anda muito estressada com o trabalho, com os problemas da separação e eu ainda a meto em outro problema. A coordenadora chamou minha mãe ao colégio porque as mães dos meus amigos foram reclamar que eu estava colocando apelidos nos seus filhos e fazendo gozações com os mesmos. Ela disse à minha mãe que o nome do que eu faço é um tal de bullying e pediu para minha mãe ter uma conversa séria comigo a respeito disso...
Tenho notado que muitos amigos meus não falam mais direito comigo e estão se incomodando com as minhas brincadeiras de gozação. Mas eu não posso fazer nada! A culpa não é minha se eles tem defeitos para eu implicar...
É, pelo visto, a conversa com a minha mãe não deu muito certo, ainda pratico esse tal de bullying aí. Não sei o que irá acontecer comigo, minha mãe disse que se eu não parar com isso ela me deixará de castigo por um mês. Eu nem me importo, ela nunca cumpre o que fala mesmo...
Não sei muito bem o motivo da minha implicância com meus amigos, eu comecei a fazer depois da separação dos meus pais, eu acho. Eu passei a andar com muita raiva e acabei descontando tudo neles! Teve um dia que uma gordinha tava lanchando um super cachorro-quente, aí eu falei “É melhor diminuir as calorias, ô banha ambulante!” Todo mundo começou a rir!
Sexta-feira uns garotos vieram falar comigo sobre o que eu estava fazendo, e disseram para eu parar com o bullying, porque eu tava magoando muitos deles. Sabe o que eu fiz? Nada. Continuei com as implicâncias e me senti bem pelo que eles falaram, me senti bem em saber que estou conseguindo o que eu quero! A maioria dos alunos das outras séries me chama de palhaço, todos riem de tudo que eu falo. Um dia eu implico com um “nerd”, no outro, com uma feiosa, depois com um magrelo ou com uma gorda, etc.
Tudo estava uma maravilha, até eu começar a pegar pesado nas implicâncias e extrapolar os limites, como disse a minha mãe. Na última conversa que a gente teve, eu acabei reconhecendo meu erro e vi que ninguém mais estava achando graça das brincadeiras de mau gosto. Me senti mal depois de perceber isso e acabei pedindo desculpa a todos. Na primeira vez ninguém aceitou as desculpas, achavam que eu tava mentindo, mas depois viram que eu estava arrependido.
Impressionante como a minha raiva diminuiu, fiquei feliz por ter voltado ao meu normal! Minha mãe ficou muito aliviada e isso me deixou muito contente também, fazia tempo que eu não a via assim. Confesso que de vez em quando não consigo me controlar e faço uma gozaçãozinha de leve, mas aí é normal, né?! Qualquer garoto da minha idade acaba fazendo... Mas eu nunca mais vou chegar ao ponto que eu cheguei, nunca mais mesmo!
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
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